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26 outubro 2011

Desconstrução

Eu não tenho a minha cara. Assim como minhas roupas, a maquiagem, o corpo, o cabelo, o sorriso, o espelho. Há pontes que não se encaixam em mim, mas foram forçadas a se ajustar, me fazendo mais sombra que objeto. E o material que me formou ficou tão distorcido que mal consigo reconhecer meu próprio esboço. Mas dele já sei retirar o que não me cabe mais. E é assim, me desconstruindo de crenças que já não convencem, que vou me construindo. Embaraçosamente devagar. Mas a cada manhã um novo pequeno pedaço desfeito se completa em mim.

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